quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Literatura Erótica: Livro aborda relações bissexuais, poder e luxúria: O Poderoso Priapo

livro-opoderosopriapoFabrício Viana, escritor LGBT bastante conhecido no Brasil, começou a escrever o livro com relações bissexuais, poder e luxúria chamado "O Poderoso Priapo. Suas Mulheres e seus Homens". E, pelo jeito, será mais um sucesso. Olha só a sinopse:


"Priapo é o apelido que John ganhou de suas mulheres e homens por conta de seu avantajado membro. Graças a ele e a sua fome de poder, tornou-se um dos executivos mais ricos do mundo. São narrativas de seu dia a dia, quase um diário."


O livro é escrito, dia após dia, on-line na plataforma Wattpad. Se você quiser, pode ler on-line toda a obra gratuitamente durante sua criação. Basta se cadastrar na plataforma e seguir este link:


https://www.wattpad.com/myworks/50448293-o-poderoso-priapo-suas-mulheres-e-seus-homens

Após a conclusão, que, segundo o autor não tem data para terminar, o livro será impresso e terá direto a uma tarde de autógrafos. Viana diz que o protagonista é um executivo muito rico, com um membro realmente grande e, por isso, apronta muito dentro do mundo dos negócios.




"É uma obra de ficção, e como gosto de literatura erótica, o livro tem muito erotismo. Não é um romance. É um livro tenso e, por isso, espero que agrade a maioria. Tanto homens quanto mulheres. Mesmo porque o protagonista, embora não goste de classificações, é bissexual.", completa Fabrício Viana.



Se você gosta de livros assim, aproveite a oportunidade e acompanhe toda a história:
https://www.wattpad.com/myworks/50448293-o-poderoso-priapo-suas-mulheres-e-seus-homens

Se quiser, curta a fanpage no Facebook do novo livro:
https://www.facebook.com/opoderosopriapo.literaturaerotica

Caso queira conhecer outras obras de Fabrício Viana, visite seu site pessoal http://www.fabricioviana.com

Seu mais recente livro é o Theus: do fogo à busca de si mesmo. Um romance com temática gay fabuloso.

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terça-feira, 22 de setembro de 2015

Parada do Orgulho LGBT em Manaus acontece neste sábado!


Pois é, finalmente chegou o dia, a Parada do Orgulho LGBT em Manaus acontece neste sábado. A concentração começa as 18h, no Centro de Convenções de Manaus (Sambódromo - Av. Pedro Teixeira, Flores). O tema desta edição será:



"Parada contra o Preconceito, Discriminação e a Homofobia"

De acordo com os organizadores, o tema é para alertar os crimes que infelizmente ainda são cometidos. A programação contará com trios elétricos, tenda eletrônica com DJs e bandas variadas, além de um palco central com shows de drag queens e a coroação da Madrinha da Parada 2015, Regina Fernandes.


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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Baixe de graça o livro THEUS. Donwload completo!

 

Com diversos livros publicados para a comunidade LGBT, o autor Fabrício Viana disponibilizou o download completo e gratuito do seu livro THEUS na Amazon Brasil. Porém, por tempo limitado. Se você perder a oportunidade, não tem problema, ele é vendido por um preço muito acessível (o livro tem 196 páginas!):


http://editoraorgastica.com/produto/romancegay-theus-do-fogo-a-busca-de-si-mesmo/

A promoção de livro gratuito (e-book, na Amazon Brasil) vai do dia 21 ao dia 25 de Setembro de 2015. Após esta data, o livro só pode ser baixado mediante pagamento (não se preocupem, o valor é realmente baixo e compensa!) neste link:

http://www.amazon.com.br/gp/product/B00XOO003G

Quer comprar outros livros com temática LGBT? Visite o site da Editora Orgástica:

http://www.editoraorgastica.com

Lembrando que o livro THEUS já tem até fanpage, curta, comente e compartilhe:

http://facebook.com/livrotheus

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domingo, 20 de setembro de 2015

Ton Cordeiro lança seu romance gay chamado JR na Amazon Brasil

livro-com-tema-gay-jr-toncordeiroO jovem Ton Cordeiro (foto acima) lançou neste mês o livro (romance) com temática gay chamado JR. Para quem não sabe, JR é a abreviação de Júlio e Reinaldo. Dois amigos que cresceram juntos, tiveram namoradas, sonham em cursar medjr-romancegayicina e, quando menos esperam, se apaixonam. Uma história linda e com prefácio de Fabrício Viana.


O livro, lançado primeiro na versão digital na Amazon Brasil, para aplicativos Kindle (basta instalar em seu smartphone ou tablet que tenha iOS ou Android), pode ser comprado por um valor bem atrativo neste link:


http://www.amazon.com.br/gp/product/B015HSY0JQ


Quer saber sobre o que o livro fala?

Leia o prefácio escrito por Viana:

Prefácio


Com muito orgulho apresento à vocês a obra JR que, para quem não sabe, é a abreviação de Júlio e Reinaldo. Dois amigos que cresceram juntos, tiveram namoradas, sonham em cursar medicina e, quando menos se espera, a cumplicidade, a paixão e o desejo surge entre os dois.


A criação é de Ton Cordeiro. E eu devo confessar, ele realmente me surpreendeu com uma linda estória. Sou autor de seis livros, quatro deles com temática LGBT e, justamente por isso, tornei-me conselheiro editorial da Editora Orgástica e da Bons Livros Editora Digital. Recebo diariamente inúmeros textos para ler e analisar. Quase não dou conta. Alguns eu paro logo nas primeiras páginas, seja por falta de tempo, interesse, pobreza de conteúdo, erros gramaticais gravíssimos ou um grande despreparo do autor. Mas nada disso eu vi na escrita do Ton. Ele escreve com paixão. Seu texto flui e você percebe que, um bom escritor só tem futuro se souber contar uma boa estória. E ele sabe.




Justamente por isso fiz questão de encabeçar todo este projeto. Uma obra que começa no formato digital e que, daqui a poucos meses, ganhará seu formato em papel. Não tem como não gostar de JR. Torcer, vibrar e até mesmo ficar apreensivo com algumas partes da narrativa. Como muitos sabem, ou imaginam, junto com os desejos vem amigos, família e os próprios conflitos pessoais dos personagens: mais ainda quando nenhum deles, até então, tinha qualquer desejo por outros rapazes. Tudo simplesmente aconteceu. E agora é que vem a pergunta: como aconteceu? Como a estória termina? Eles ficarão juntos? Irão cursar medicina? E a família dos dois? Tudo pode acontecer. Portanto, aqui fica meu convite, leia e se apaixone por JR.


Ton Cordeiro mandou bem. E eu espero, realmente, que ele não pare de escrever. Esse menino tem talento. E eu assino embaixo. Boa leitura.


Fabrício Viana*
Setembro/2015


* Fabrício Viana é escritor, bacharel em psicologia e autor do livro O Armário (sobre a homossexualidade), Ursos Perversos (contos homoeróticos), Orgias Literárias da Tribo (coletânea LGBT) e do Theus (romance gay). Também faz parte do conselho editorial na Editora Orgástica e da Bons Livros Editora Digital.




jr-romancegay-livrogayGostou? Então vai lá na Amazon Brasil e compre seu exemplar digital agora mesmo:


http://www.amazon.com.br/gp/product/B015HSY0JQ

Caso queira comprar a versão impressa, cadastre seu e-mail aqui para ser avisado sobre o lançamento em papel. Em todo o caso, faça um esforço e leia JR. E também curta a fanpage do livro no Facebook:


https://www.facebook.com/JRromancegay

:-)

 

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sábado, 19 de setembro de 2015

Primeiro homem assumidamente gay lidera as Forças Armadas dos EUA

homossexual-exercito-EUABarack Obama, presidente dos EUA, anunciou Eric Fanning (foto acima) como o próximo secretário do Exército. Ele é o primeiro homossexual assumido a liderar as Forças Armadas dos EUA.


Segundo Obama em comunicado oficial, "Eric traz muitos anos de experiência comprovada e liderança em seu novo cargo". E complementa, "Estou confiante que ele liderará soltados com distinção".


Diversos grupos e ONGs LGBTs no mundo estão felizes pela notícia.

Segundo o escritor e bacharel em psicologia Fabrício Viana, autor do livro O Armário, sobre a homossexualidade e que envolve os fatores psíquicos sobre a saída e a entrada no armário, "Fatos como este deixam claro que a orientação sexual de uma pessoa não tem relação alguma com sua capacidade de exercer qualquer profissão. Sem falar que muitos outros, vendo pessoas assumidamente gays, acabam também ´saindo do armário´. Isso é fantástico!", enfatiza o autor.


homossexual-exercito-EUALembrando que o Pentágono, em Julho deste ano, atualizou sua política de oportunidades igualitárias para proibir a discriminação por orientação sexual no país, decisão importante para os direitos de LGBTs dos americanos.


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terça-feira, 15 de setembro de 2015

Afinal, o que é a Teoria Queer? O que fala Judith Butler?

Autorizado pela autora Helena Vieira, publicamos aqui seu texto explicativo sobre o que é a Teoria Queer de Judith Butler. Excelente explicação!


teoriaqueer-judithbutler
Tornou-se consideravelmente comum vermos ativistas, sobretudo transfeminitas (como eu), falarem de Teoria Queer. Esses dias, fui interpelada por uma amiga que me perguntava: “Diabéisso de Teoria Queer?”. De fato, é uma forma de saber que a Universidade não tende a ensinar aos estudantes de graduação, e, apesar de existir muito material na internet sobre o assunto, é raro que paremos nossas vidas para procurar um texto que responda: O que é teoria Queer? Antes, contudo, é importante entendermos o que é “queer”. Que termo é esse?



O nome: Queer


Queer é uma palavra inglesa, usada por anglófonos há quase 400 anos. Na Inglaterra havia até uma “Queer Street”, onde viviam, em Londres, os vagabundos, os endividados, as prostitutas e todos os tipos de pervertidos e devassos que aquela sociedade poderia permitir. O termo ganhou o sentido de “viadinho, sapatão, mariconha, mari-macho” com a prisão de Oscar Wilde, o primeiro ilustre a ser chamado de “queer”.


Desde então, o termo passou a ser usado como ofensa, tanto para homossexuais, quanto para travestis, transexuais e todas as pessoas que desviavam da norma cis-heterossexual. Queer era o termo para os “desviantes”. Não há em português um sinônimo claro, talvez, como propõe a professora Berenice Bento, possamos pensar o queer como “transviado”.



A Teoria Queer


A Teoria Queer começa a se consolidar por volta dos anos 90, com a publicação do livro “Problemas de Gênero” (Gender Troube) da Judith Butler. Fruto de uma trajetória que ela já vinha acompanhando desde um seminário, que carregava o nome “queer”, feito nos anos 80, por Teresa de Lauretis. De Lauretis, foi a primeira a pensar em “Tecnologias de Gênero”, aqui entendidas como as técnicas de ser homem ou ser mulher que aprendemos desde cedo.


Nos anos 70, as universidades americanas, são tomadas (ainda bem), por movimentos populares, e começam a criar os chamados “Estudos Culturais” como forma de dar conta da compreensão do crescente Movimento Negro – marcadamente os Panteras Negras – e para dar conta de outros movimentos como o “Free Speech” (Liberdade de Expressão), e do movimento feminista – com a criação dos Women Studies. Assim como outros movimentos, como os movimentos gay e lésbicos. Antes de prosseguir sobre “O que é a Teoria Queer”? Acho importante fazer uma pausa para historicizar o conceito de “Gênero” , pois a Teoria Queer é sobre tudo aquilo que escapa a nossas formulações habituais. Às formulações do senso comum.




[caption id="attachment_580" align="aligncenter" width="474"]Norrie Primeira pessoa no mundo a conseguir registro civil como gênero neutro. Nem homem e nem mulher. Isso ocorreu na Austrália e seu nome é Norrie.[/caption]

Gênero


Não é possível falar em Teoria Queer sem pensarmos na categoria de “Gênero” como sendo algo fluido, socialmente construído, performado e sistêmico. Parafraseando Teresa de Lauretis: um sistema sexo-semiótico, de interpretação dos dados biológicos como produtores de diferenças, que não são per si, mas produtos da interpretação arbitrária dos “marcadores biológicos”. Existem, ainda segundo a autora “Tecnologias de Gênero”, ou seja, construção de técnicas de viver que determinam como um sujeito pode se inserir na sociedade segundo normas específicas de “ser homem” ou “ser mulher”.


Gênero é um conceito que surge fora da gramática e da linguística, aproximadamente nos anos 1950, quando o Dr. John Money, da Universidade John Hopkins, o utiliza no estudo da redesignação sexual de pessoas intersexuais. Neste caso, John se pergunta: Se estas pessoas nasceram com genitália ambígua, como é possível que o genital seja fator decisivo na constituição do gênero? Não pode ser. Então, utiliza-se de tal conceito, para designar o resultado de seu tratamento de “reorientação do gênero” das pessoas intersexo. No entanto, o modelo de compreensão do Gênero proposto por ele se mostrou falho, e hoje existem movimentos e demandas de pessoas intersexo para que elas tenham autonomia na decisão do gênero ao qual se identificam, e não fiquem a mercê de uma decisão médico-familiar. Entretanto, não podemos desconsiderar que John Money avançou no descolamento do gênero e do genital. Uma relação direta e não arbitrária, para compreendê-los, como distintos , possibilitando, apesar de seus erros, desdobramentos teóricos importantes.


Paralelamente aos estudos de John Money, começaram a surgir, dentro das universidades, demandas para que existam estudos e disciplinas, até então consideradas não acadêmicas, como os estudos negros, latinos, feministas,… Demandas que surgem, não no seio das universidades, mas a partir de vários movimentos sociais nos EUA. Dando origem, assim, aos estudos culturais, negros, e ao campo conhecido como Women Studies. É no âmbito dos “Estudos das Mulheres” que o conceito de Gênero passa a figurar de forma semelhante (cof) ao que conhecemos hoje.


A partir da afirmação já famosa de Simone de Beauvoir em seu livro “O Segundo Sexo” – ” Não se nasce mulher, se chega a sê-lo” – que inicio um parênteses. Essa afirmação de Simone, não é uma afirmação diretamente sobre “Gênero”, mas sobre a mulher,  que para Beauvoir, não era compreendida como um “outro”, mas como uma subalternidade que só podia se constituir em relação ao sujeito “homem”, em sua dependência. O devir mulher, não poderia, na ótica de Beauvoir, caber em um entendimento do “devir homem”, de modo que, os primeiros estudos feministas, nos trazem uma ótica ainda essencialista de “diferença de gênero”, diferença essa que continua a se constituir a partir de novas interpretações dos dados biológicos.


Os Estudos Feministas, até então, se centravam em um determinado sujeito, em uma determinada mulher, até que surgem, com Angela Davis, e outras feministas negras, latinas, operárias, lésbicas (com grande enfoque no “continuum lésbico” de Monique Wittig, em seu livro “O pensamento heterossexual”), a crítica a este sujeito do “feminismo clássico”, ou seja, a crítica a um feminismo que havia se mostrado branco, de classe média, acadêmico e elitista. Ainda neste período surgem também, os “Estudos de Gênero” que constroem uma crítica ao feminismo, ao pensar as “masculinidades”, aliadas aos estudos Gays e Lésbicos, oriundos das demandas sociais que surgiram após a Revolta de Stonewall.


É neste momento que “Gênero” passa a ser concebido em sua fluidez e a afirmação de Simone de Beauvoir é ampliada, a partir de um questionamento simples: “Se existe um devir mulher, porque não poderia existir um ‘devir gênero’?”. Entretanto, apesar deste questionamento, os estudos e movimentos gays e lésbicos se tornaramm higienizados, defendendo um corpo gay desejável, belo, e sobretudo, heteronormativo. É criado, como diria Guacira Lopes Louro em seu texto “Teoria Queer- Uma política pós-identitária para a educação”, uma identidade gay “positiva”, e, obviamente, essa identidade positiva, subentende a construção de uma identidade “negativa”, geralmente associada ao gay afeminado, à travesti, e às lésbicas masculinizadas e homens trans.


Neste momento ainda não havia uma distinção teórica clara entre Identidade de Gênero e Sexualidade, tal distinção se produz apenas com o trabalho teórico da antropóloga feminista Gayle Rubin, em seu artigo “The Traffic in Women: Notes on the ‘Political Economy’ of Sex”. Artigo no qual ela afirma ser necessário pensar como categorias radicalmente distintas a sexualidade e o gênero, mesmo que, em determinados momentos, como posteriormente nos mostra Judith Butler (em seu livro, “Gender Trouble”), tais categorias se amparem em sustentação mútua da cis-heteronorma.


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É neste contexto da higienização das identidades “gays e lésbicas” e do questionamento da identidade do “ser mulher” e do ” ser homem” que surge um movimento pautado nas diferenças, portanto não-assimilacionista, como ferramenta de crítica. Tal movimento é teórico e também social, a “Teoria Queer”, termo agora ressignificado como forma de empoderamento. É neste momento, a partir de uma associação teórica com os estudos pós-estruturalistas de Deleuze, Derrida e Foucault, que se começa a pensar o próprio Gênero como “ficção política encarnada”, termo cunhado por Paul. B. Preciado em palestra dada no “Hay Festival”, em Cartagena.


No bojo destas discussões surge também a reflexão sobre a travestilidade e a transexualidade como experiências de gênero – a transfeminilidade como uma forma de mulheridade. Essa compreensão é importante, quando nos deparamos com discursos essencializadores do ser mulher. Judith Butler, em seu livro “Gender Trouble”, inicia com um questionamento que considero vital: “Quem é o sujeito do feminismo?”, ” É possível, pensar de forma categórica e universalizante em ‘mulher’?”. A resposta, obviamente é “não”, é possível pensar em “mulheres”, em “mulheridades”, em vivências femininas, mas não é possível universalizá-las na produção de um conceito identitário imutável.


É neste sentido que a vivência das mulheres trans, das travestis e das pessoas não-binárias que se identificam com a feminilidade podem ser compreendidas como vivências femininas, e que devem ser respeitadas como tal. Obviamente, há diferenças na vivência de uma mulher cisgênero e de uma mulher trans. Disso não há dúvidas, entretanto, ambas possuem vivências de suas feminilidades, das opressões diárias, dos enfrentamentos a partir de uma perspectiva do feminimismo.



Afinal, o que é a Teoria Queer?


É importante notar que a Teoria Queer não propõe um modelo “queer” de mundo. O queer é justamente o estranho. É aquele que se narra ou é narrado fora das normas. A Teoria Queer propõe o questionamento às epistemes (pressupostos de saber), ao  que entendemos como verdade, às noções de uma essência do masculino, de uma essência do feminino, de uma essência do desejo. Para a Teoria Queer é preciso olhar para esses conceitos e tentar perceber que não se tratam, de forma alguma de uma essência, ou mesmo, que não há uma ontologia do todo, mas, no máximo, uma relação de mediação cultural dos marcadores biológicos.,


A teoria queer, como diria meu querido Paul Preciado, é uma teoria de empoderamento dos corpos subalternos, e não o empoderamento assimilacionista. O empoderamento que nos faz fortes em nossas margens e ocupar os espaços com nossos corpos transviados.



 A Teoria Queer e o Brasil


Queer não é um termo inteligível no Brasil. As pessoas não se descrevem como queer por aqui. Ao menos, não as pessoas que não tem acesso a essa teoria. Mas no Brasil, os mesmos processos de normatização e subalternização dos corpos estão presentes. Aqui não há o queer, mas há “o traveco”. Não há o queer, mas há “o viadinho”. Não falam queer, mas falam “a sapatona”. Acredito, que a Teoria Queer, possa nos ajudar a construir uma teoria transviada nossa. Que empodere nossos corpos subalternos.


Como bem ressalta a transfeminista Daniela Andrade, os termos “transviada ou transviado” não englobam pessoas trans, pois supõe uma mistura, até conceitual de identidade de gênero e sexualidade, coisa que nós, homens trans, mulheres trans, travestis e pessoas trans de uma forma geral, temos lutado imensamente pra distinguir uma da outra.



A tensão Teoria Queer e Identidades Não binárias:


É fato que ninguém é transexual simplesmente por ter “aprendido com a Teoria Queer” ou qualquer outra teoria. Muito antes dessas teorias já existiam as pessoas trans. Eu escrevo desde um lugar muito específico: travesti, gorda, pobre, acadêmica e não binária. A Teoria Queer enfatiza que o gênero não é uma verdade biológica, mas um sistema de captura social das subjetividades. Isso significa que não somos nada ontologicamente? Não. Significa que existe uma percepção, por vezes disruptiva, entre como me sinto e como a norma diz que devo me sentir.


A percepção subjetiva que tenho de mim, é minha e não cabe a nenhuma teoria definí-la. Entretanto, a enunciação disso, ou seja, a capacidade de dizer, enquanto ato de fala (como nos diz Austin), e performance, passa pelo conhecer.


Eu nasci e cresci na periferia de São Paulo, e agora vivo na periferia de Caucaia, no Ceará. Na periferia, não existem, aos olhos da norma, pessoas não binárias. Eu mesma, ao longo de toda a minha vida nunca me percebi como homem, nem como mulher. Eu era “o gayzinho” e “o viadinho”, depois que descobri a transgeneridade é que percebi que eu podia enunciar o que sou: sou travesti não reivindico ser mulher, não reivindico ser homem, mas essa é uma posição minha. Eu reivindico sim a feminilidade.


A tensão reside quando alguns ativistas querem negar tudo que é acadêmico. Não é possível fazer isso! As pessoas trans, precisam adentrar a academia, que é uma instituição produtora de conhecimentos lidos como verdade, e narrar suas próprias vivências. É necessário ocuparmos os espaços que sempre nos foram historicamente negados. A academia é instrumento. Assim como o saber o é. A primeira travesti brasileira a obter o título de doutora foi minha muito amiga Luma Nogueira de Andrade. Ela sempre frisou que o caminho dela para a emancipação estava na educação, no acesso ao saber e ao conhecimento.


As identidades não binárias como a minha e muitas outras são de difícil intelecção pra quem não é da academia. Isso porque não há trabalhos acadêmicos sobre o tema, e porque não há critérios visuais de identificação do “não binário”, e sabemos que, para o olhar da norma, a leitura, ou seja, a capacidade de intelecção, é vital para o processo de taxonomização. Ano que vem sairá um artigo meu, em uma revista americana sobre o universo “não binário”. Mas devemos lembrar que é importante reconhecer que a academia e a Teoria Queer são ferramentas que podemos usar para materializar o discurso sobre nossas identidades.


Austin dizia que falar é fazer. Que a linguagem e os atos de fala, tornam as coisas reais no mundo porque constrangem seu entorno. A academia, marcadamente a Teoria Queer e a desconstrução de Derrida trouxeram a ideia dos binários e dos não binários a serem rompidos e desconstruídos. Por que, então, não usar as ferramentas e construir um saber que emerge das nossas vivências?


Paulo Freire sempre dizia, que o saber popular precisa manter com o saber acadêmico uma relação de mão dupla, dialógica. A teoria não constrói nossa identidade, mas nos ajuda a enunciá-la e as vezes, a afirmá-la politicamente. É errado, portanto, exigir de travestis e pessoas trans que aceitem a teoria queer. Ou que saibam dela. Principalmente quando muitas, a maioria de nós na verdade, está fora da escola e da universidade. Enquanto nos prostituimos, não temos tempo pra pensar o “pronome” mais apropriado a ser usado. Mas isso não implica na negação de todo e qualquer saber acadêmico. É preciso conciliar as vivências com a academia, e na fusão delas, produzir um pensar e uma política identitária marcadamente brasileira.



Um apelo final


Precisamos imensamente construir um saber nosso, um saber dos corpos subalternizados brasileiros. Não somos os mesmos corpos norte-americanos. Somos corpos com nossas próprias marcas e precisamos, a partir delas, constituir uma teoria que nos empodere para, a partir daí, podermos começar a pensar numa política das identidades. Há de se convir que o termo “queer” está na moda. Muitos se narram como queer, porém, é uma pós-modernidade que sai com água, e cujo emprego sugere privilégios. Queer não é arrasar na balada. É uma narrativa de si, uma narrativa constante.


É comum muitas pessoas rejeitarem o termo queer dizendo que “isso é academicismo”. Ora, tudo bem, mas enquanto as pessoas trans não lutarem por si e pelas suas companheiras, não seremos capaz de produzir um saber formal a partir de nossas vivências. Um saber próprio para a experiência brasileira da não conformidade as normas de gênero. Contudo, a simples negação do termo nos conduz ao risco do colonialismo. De deixarmos espaço para que nossas identidades sejam vistas apenas com o olhar colonizador de um termo e teoria estrangeiros. Por esse motivo, se faz necessário que levemos esse debate para além da academia e dar voz às diferentes maneiras com que pessoas trangêneros brasileiras narram suas histórias.


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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Cassandra Rios: A Safo de Perdizes. Evento com Hanna Korich na OAB/SP

CassandraRios-ASafodePerdizes
Com direção de Hanna Korich, filme retrata a trajetória da escritora lésbica que foi perseguida pela ditadura


O documentário “Cassandra Rios: a Safo de Perdizes”, dirigido por Hanna Korich e selecionado em concurso do ProAC (Programa de Ação Cultural), da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.
O filme retrata a trajetória da escritora Cassandra Rios, perseguida pela ditadura militar, sob alegação de pornografia, e traz depoimentos de pessoas que, de alguma forma, fizeram parte da vida da autora, como a sobrinha Liz Rios, a atriz Nicole Puzzi, a escritora Lúcia Facco, o editor Maxim Behar, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP, Dr. Martim Sampaio, entre outras personalidades.
Além da exibição do documentário, haverá um debate com a participação da diretora do filme, Hanna Korich.
“Será a oportunidade de apresentar a Cassandra ao público e falar sobre a vida e obra dessa verdadeira artista, que foi pioneira para as lésbicas brasileiras”, diz a realizadora Hanna Korich.


Sobre o documentário


O projeto de “Cassandra Rios: a Safo de Perdizes” nasceu do desejo de não apenas relembrar a trajetória de Cassandra Rios, mas também apresentá-la às gerações atuais. “Cassandra foi a primeira autora a abordar o lesbianismo de forma aberta na literatura brasileira, tendo começado a publicar em 1948, e a primeira também – espantosamente – a falar da mulher como um ser sexual, que tinha desejo”, conta Hanna.
Para a realizadora, o documentário é dirigido “a todos os jovens que nunca ouviram falar dela e também aos mais velhos, que lembram mas faz tempo que não pensam nela”. “Está mais do que na hora de começarem a repensar a contribuição heroica que essa mulher fez ao movimento LGBT e à literatura em geral”, defende.
Outro importante aspecto abordado no documentário é o fato de Cassandra Rios ter sido perseguida durante a ditadura militar. Como destaca Hanna Korich, “Cassandra Rios foi a escritora brasileira mais censurada pela ditadura, com 36 livros apreendidos, o que levou à sua bancarrota e ao fechamento de sua livraria”. A realizadora acrescenta que Cassandra não teve apoio nem mesmo dos intelectuais. “Ela teve o apoio de poucos, como Jô Soares, que a entrevistou em 1990, e de Jorge Amado, que a considerava ótima escritora”, revela Hanna.
Bestseller absoluta nas décadas de 60 e 70, com mais de um milhão de exemplares vendidos de uma obra, Cassandra Rios faleceu em São Paulo, aos 69 anos de idade, em 8 de março de 2002. “Cassandra Rios: a Safo de Perdizes” traz à tona a audácia da escritora durante os anos de chumbo e sua importância para a literatura brasileira.
Um dos depoimentos mais emblemáticos é o da sobrinha de Cassandra, Liz Rios, que revela que a censura teve um impacto enorme sobre a carreira da paulistana, autora de títulos como “A Tara”, “Tessa, a Gata”, “Volúpia do pecado”, “A paranoica”, entre outros.
Importante também é a entrevista com o advogado e representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, Dr. Martim Sampaio, que declara que já enviou ofícios às comissões da verdade denunciando as perseguições descabidas à Cassandra, e o depoimento de Eliane Robert Moraes, professora de Literatura Brasileira da USP, crítica literária e escritora, que entrevistou Cassandra para uma revista feminista, a “Mulherio”, e conta que ficou impressionada com a ousadia e amargura da autora.


Poemas musicados


Para a trilha sonora original, Hanna Korich convidou a cantora e compositora Laura Finocchiaro. Sobre a contribuição de Finocchiaro ao documentário, a realizadora diz: “Laura Finocchiaro é lésbica assumida, musicista de primeira linha, tem contribuído para o movimento das lésbicas no Brasil e gostou de vários poemas da Cassandra.”


Sobre Hanna Korich


Paulistana, advogada e graduada em Comunicação Social com especialização em Rádio/TV pela Faap, fez parte do Conselho de Atenção à Diversidade Sexual do município de São Paulo representando as lésbicas. Em 2008, junto com Laura Bacellar criou a primeira e única editora lésbica da América Latina – Editora Brejeira Malagueta www.editoramalagueta.com.br. Escreveu junto com Laura Bacellar e LúciaFacco o Livro Frente e verso, visões da lesbianidade, publicado pela Editora Malagueta em 2011. Foi colunista do site Dykerama, apresentadora, produtora e roteirista do programa de TV por internet As Brejeiras.


Sobre Cassandra Rios


Cassandra Rios, nascida Odete Rios em 3 de outubro de 1932 no bairro de Perdizes, São Paulo, foi sem dúvida a escritora mais importante para a literatura lésbica no Brasil. Autora muitíssimo lida, responsável por sucessos de público mais expressivos que os livros de Jorge Amado, chegou a vender mais de um milhão de exemplares nas décadas de 1960 e 1970.
Retratou as lésbicas, o submundo homossexual em São Paulo e os dramas vividos por quem pertencia às minorias. Muitos de seus livros foram considerados pornográficos, tendo 36 (entre seus mais de 70 títulos publicados) sido censurados pela ditadura militar e recolhidos da praça.
Seus livros estão esgotados, havendo apenas quatro títulos em catálogo, e sua carreira de desafios é desconhecida das gerações mais jovens.


Serviço:

[caption id="attachment_573" align="aligncenter" width="286"]banner-CassandraRios clique na imagem para ampliar[/caption]

“Cassandra Rios: A Safo de Perdizes”
Quando: 19 de setembro de 2015
Horário: 10hs
Local: OAB/SP Salão Nobre, Praça da Sé 385 1º andar


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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Um bom livro com temática GLS para ler?

Se você procura um bom livro com temática GLS (gaus, lésbicas e simpatizantes) para ler, recomendamos o Theus: do fogo à busca de si mesmo, do escritor e bacharel em psicologia Fabrício Viana.


livro-com-tematica-gayO livro foi resenhado recentemente em um canal literário chamado Conceito Literário, como é o primeiro livro com temática gay resenhado em vídeo pelo vlogueiro Christian Assunção (foto acima), e muitos vlogueiros e blogueiros literários infelizmente rejeitam este "tipo de temática", é fácil perceber um pouco de nervosismo do garoto. Porém, ele mandou muito bem! Assista ao vídeo abaixo:




Bruno Silva, que também é escritor LGBT, também resenhou o livro Theus (romance gay) em vídeo, assista:



Caso tenha gostado do Theus: do fogo à busca de si mesmo, você pode comprar ele on-line ou ainda curtir a fanpage no Facebook: http://facebook.com/livrotheus.

Importante dizer que o livro Theus não é vendido em livrarias. Apenas on-line no site da Editora Orgástica http://www.editoraorgastica.com Boa leitura!

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