sábado, 5 de junho de 2010

Conheça os ganhadores do 10º Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade

Direitos:
1 - Prefeitura da Capital e Governo do Estado de São Paulo pelos decretos 55.588 de 17 de março (estadual) e 51.181, de 14 de janeiro de 2010 (municipal), que dispõem sobre a inclusão e uso do nome social de pessoas travestis e transexuais nos registros municipais relativos a serviços públicos prestados no âmbito da Administração Direta e Indireta.

2 - Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)
O tratamento igualitário a casais homoafetivos foi cláusula das negociações dos bancários frente ao sistema financeiro. A proposta de igualar os casais homo e heterossexuais foi aprovada nas assembleias realizadas por bancários em todo o Brasil, e entrou na pauta de negociação, para que os casais homoafetivos possam gozar dos mesmos direitos previstos na Convenção Coletiva e que já são garantidos para casais heterossexuais.

A ampliação da licença-maternidade para 180 dias para as funcionárias de todos os bancos e auxílio-creche/babá valendo para filhos de até 83 meses. Essas melhorias, obviamente, seriam estendidas também a casais formados por pessoas do mesmo sexo.

Apesar das lideranças sindicais entenderem que faz parte de sua luta incluir os direitos de LGBTs da categoria dos bancários, a realidade é muito mais difícil. Recentemente, o Banco Itaú demitiu funcionária que assumiu ser lésbica.

Ação de Comunicação:
Manual de Comunicação LGBT - (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais).

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) lançou o “Manual de Comunicação LGBT”, que busca esclarecer as dúvidas dos profissionais de comunicação e da sociedade em geral sobre diversidade sexual e identidade de gênero.

O manual é voltado para profissionais, estudantes e professores da área de comunicação: jornalistas, radialistas, publicitários, relações públicas, bibliotecários, entre outros. O principal objetivo da ABGLT com esse lançamento é o de reduzir o uso inadequado e discriminatório de terminologias que afetam a cidadania e dignidade da população LGBT, seus familiares e amigos.

O manual busca ainda incentivar a produção de matérias, artigos, reportagens e entrevistas que tratem do respeito à diversidade sexual e justiça social e criar uma ferramenta capaz de auxiliar a cobertura jornalística com relação às temáticas LGBT. Ele possui também informações sobre as expressões técnicas de redação dos temas relacionados a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

Saúde:
O Governo do Estado de S. Paulo pela criação do ambulatório de saúde integral de travestis

A ação inovadora promove um tratamento das especificidades dessa população de uma forma digna. Promove também a inclusão das travestis e transexuais no sistema de saúde sem a discriminação que sofrem cotidianamente na rede de saúde convencional. O ambulatório representa também um avanço no atendimento ao processo transexualizador.

Educação:
Escola Jovem LGBT, Campinas – Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados

Com uma verba de R$ 180 mil proveniente de um convênio entre a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e o Ministério da Cultura, o Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados, que tem sede na cidade de Campinas, pretende concretizar o projeto de implantação da Escola Jovem LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais).

Inicialmente com três turmas — com 20 alunos cada — o objetivo da instituição, de acordo com Deco Ribeiro, representante do grupo e futuro diretor da instituição, é valorizar e difundir a Cultura LGBT em cursos que são abertos a jovens homossexuais, mas também a heterossexuais e bissexuais.
As aulas têm foco em atividades artísticas, literárias e em diversas outras vertentes culturais. Entre elas, a criação de zines, revistas, produtos literários, dança, música, TV, cinema e teatro. Até mesmo performance drag está prevista para entrar na grade curricular. O projeto contribui para o aumento da auto-estima de LGBT ao valorizar seus hábitos, sua cultura e suas singularidades.

Imprensa:
Revista francesa TÊTU

A revista promove campanhas no mundo todo em relação à defesa de direitos de LGBT. Foi o meio de comunicação que mais lançou matérias sobre a violência contra as lésbicas da África do Sul, e a atuação de organizações lésbicas naquele país, que também serão premiadas. A Têtu alia cultura e entretenimento a uma ação de repercussões políticas profundas.

Ação Cultural:
Grupo Dignidade e Associação da Parada Paranaense pela restauração e digitalização da Coleção do Jornal Lampião da Esquina.

Um passo importante no resgate da memória homossexual brasileira foi dado pela Associação Paranaense da Parada da Diversidade em parceria com o Grupo Dignidade. O jornal "Lampião da Esquina", circulou entre 1978 e 1981 no Brasil da Ditadura Militar, tornando-se uma das mais importantes publicação do país, junto com o Pasquim, ao contar com um time de profissionais de renome como Aguinaldo Silva, João Silvério Trevisan e Darcy Penteado.

O projeto de restauração e digitalização foi realizado por meio de um financiamento do Ministério da Cultura e o material será disponibilizado para consulta no Centro de Documentação Histórica Professor Dr. Luiz Mott, localizado na sede da Aliança Paranaense pela Cidadania LGBT. A versão digital pode ser conferida no site do grupo Dignidade.

Literatura:
1 - Laura Bacelar pelo trabalho desenvolvido na Editora Malagueta.

Na América Latina inteira a Malagueta é a única editora L2L (sigla em inglês significando “de lésbicas para lésbicas”). A principal responsável pelo andamento da Editora Malagueta é Laura Bacellar, que tem larga experiência no mercado de livros em geral e uma atuação consistente junto às comunidades LGBT. Foi pioneira na criação da editora brasileira inteiramente dedicada a minorias sexuais, as Edições GLS, no início da década de 1990. É um projeto essencialmente comunitário. Se muitas mulheres gostarem de suas obras, comprarem os livros, recomendarem-nos às amigas e namoradas e ex-esposas, será possível sobreviver e continuar a publicar muitas autoras mais.

2 - O livro Na trilha do arco-íris: Do Movimento Homossexual ao LGBT, de Regina Facchini e Júlio Simões, da Editora Fundação Perseu Abramo.
Entre os principais desafios de um movimento de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) mais organizado e visível, está o aumento da reação conservadora contra suas lutas. Este é um dos debates feitos no livro, que recupera a trajetória de mais de três décadas do movimento LGBT do Brasil.

Os autores descrevem o caminho árduo percorrido pelos LGBT do país e do mundo. O livro traça um panorama do ativismo americano e europeu, mas se aprofunda no movimento LGBT brasileiro. Cita a importância de grupos organizados e de ações políticas dos anos 1970 aos dias de hoje, a mobilização no Legislativo e no Judiciário brasileiros, analisa o impacto da aids e também das paradas do orgulho na luta contra o preconceito.

Os autores oferecem, ainda, um balanço das conquistas e desafios que se apresentam hoje para o avanço dos direitos de LGBT. Entre os desafios, destaca-se a legitimidade social que o preconceito homofóbico ainda tem no Brasil. É um livro que, sem dúvidas, colabora para ampliar o conhecimento sobre a população LGBT brasileira e sobre suas lutas.

Cinema:
1 - Quanto dura o amor, Roberto Moreira

Roberto Moreira estreou com o longa Contra Todos, em 2004, e com ele recebeu mais de 20 prêmios. Em Quanto Dura o Amor, Moreira fala de ilusões e fantasias amorosas vividas por personagens à deriva na cidade grande. A cidade de São Paulo é também uma personagem do roteiro de Anna Muylaert e Roberto Moreira. No elenco, Danni Carlos, Silvia Lourenço, Paulo Vilhena, Maria Clara Spinelli, Gustavo Machado entre outros.

2 – Do Começo ao Fim, Aluízio Abranches
Com estreia em 2009, o filme de Aluizio Abranches, Do Começo ao Fim é uma história de amor. A história de Francisco e Thomás e de sua família: Julieta, Alexandre e Pedro. Com uma narrativa particular o filme pretende contar a história de um amor incondicional como uma possibilidade, como um contraponto para um mundo cheio de violência, medo e intolerância. No elenco, Fábio Assunção, Júlia Lemmertz, Gabriel Kaufmann, Jean Pierre Noher, Louse Cardoso.

Documentário:
Curta-metragem: Bailão, de  Marcelo Caetano

Exibido: Mostra de Tiradentes, 44º Festival de Brasília
Sinopse: “Bailão”, retrata a memória de uma geração homossexual reprimida pela sociedade. O ponto de convergência das histórias de seus personagens é o Bailão, uma casa noturna no centro de São Paulo bastante conhecida por seus frequentadores que viveram sua juventude nos anos da ditadura ou antes, numa sociedade extremamente conservadora que os invisibilizava. A produção é marcada por depoimentos de pessoas que viveram essa época e que relembram suas histórias.

TV:
Minissérie: Ó Paí, Ó, da Rede Globo

Ó Pai, Ó' explora as ruas do Pelourinho, na quente Bahia, com personagens bem temperados, sensuais e afinados no humor. A minissérie gira em torno da vida dos moradores de um cortiço, onde a dona do imóvel - que fica no centro histórico de Salvador - é dona Joana, uma beata que não dá paz e cuida da vida de todos. Entre as personagens emblemáticas há a travesti Yolanda e a lésbica Neusão, que na segunda temporada da série desejaram formar uma família.

Propaganda:
Propaganda Colombiana da Corporácion Red Somos sobre a cidadania e os direitos LGBT

A organização colombiana Red Somos criou vários spots poéticos de propaganda para circulação na internet. Cada peça abordou de forma poética um dos direitos LGBT. Do direito das travestis à educação, ao direito ao trabalho para transexuais, a campanha promoveu a idéia da necessidade da inclusão dessas populações discriminadas. Na internet, a campanha teve repercussão e está fazendo diferença para LGBT na Colômbia, além de consolidar a Red Somos como umas das principais organizações do movimento naquele país.
http://www.youtube.com/watch?v=Fou3PhJRHfQ

Artes Cênicas:
Rosas brancas para Salomé, de Gladston Ramos, com direção de Nicole Puzzi e Julio Wargas, no Teatro do Ator

Salomé é uma travesti pioneira em São Paulo, tanto nos shows que fazia, quanto na luta pelo reconhecimento dos direitos das travestis. A drag queen Salete Campari, que a interpreta na montagem paulistana, diz que Salomé foi a primeira pessoa que ela viu no palco, o que influenciou muito sua carreira e disposição militante. O espetáculo beneficente visa a reduzir as dificuldades financeiras e de saúde de Salomé. A peça se destaca tanto pelo texto comovente como pela performance de Salete.

Internacional:
2- Associação GALA (Memória de Gays e Lésbicas em Ação) da África do Sul

Ao mesmo tempo em que a África do Sul é a única nação africana onde os gays podem casar e adotar filhos, é um dos países que mais agridem e violentam mulheres, principalmente as que se assumem lésbicas.

"Nossa sociedade machista acredita que violando uma lésbica vai fazer ela amar os homens! A prática é tão disseminada que deram um nome popular a ela: Patches", afirma Carrie Shelver da Associação POWA e vítima de estupro.

"Nossa Constituição é muito liberal, e isso é resultado do fim do apartheid, que disse que ninguém deve ser discriminado", disse Kamahelo Malinga, da Memória de Gays e Lésbicas em Ação (GALA), uma associação que congrega os arquivos da comunidade gay da África do Sul e procura defender as lésbicas vitimas de estupro. Mas entre a teoria e a prática, a margem é grande. E a homofobia ainda está presente na sociedade sul-africana, em particular nas cidades menores do interior.

Memória:
Paula Lira – Vítima de hemografia generalizada (Imperatriz - MA)

Travesti que militava na luta por direitos e cidadania das travestis no Maranhão, como coordenadora do GATTI (Grupo de Ativismo de Travestis e Transexuais de Imperatriz). Sua dedicação em favor da luta LGBT, esforço em participar das instâncias do movimento e promover ações em defesa de suas pares tem um valor inestimável e insubstituível para as travestis e transexuais do Maranhão que se perde com sua morte.